São Luis do Paraitinga

Passamos o fim de semana  com amigos, a pretexto de conhecer a "cidade presépio" e curtir a famosa Festa do Divino (Espírito Santo). Fazia alguns anos que eu queria ir, mas só lembrava de reservar a pousada em cima da hora, quando não havia mais lugar. Desta vez, fiz a reserva quase 2 meses antes (e já tinha pousada lotada).

Cheios de expectativa, acordamos no sábado e fomos andando para a praça (a cidade é um ovo). No caminho, passamos pela capela Nossa Senhora das Mercês, totalmente coberta por tapumes por causa de uma reforma. Visitamos a casa onde morou Oswaldo Cruz, mas poucas áreas estavam abertas para os turistas. Na praça, outra surpresa desagradável: o "miolo" estava cercado de tapumes, prejudicando a vista dos casarões que o cercam. Ainda assim, são casas lindas, a maioria sobrados do século 18, quando a região do Vale do Paraíba era a mais rica do Estado.

Na pousada, havia um cartaz com a programação da festa. Queríamos ver as congadas, os bonecos gigantes João Paulino e Maria Angu, mas não estava acontecendo nada no centrinho. Aí começou uma série de confusões que já estava virando piada. A gente foi ao centro de informações turísticas, mas a atendente não sabia nada de nada. Perguntamos para uns senhores que levavam uma imagem do Divino (uma pombinha) para o Império (casinha com um altar do Divino) e eles também não sabiam das apresentações. Parecia que a gente estava na cidade errada.

O sábado acabou sem festa nenhuma. No domingo, em compensação, acordamos às 7h15 com a fanfarra passando embaixo das nossas janelas. Mais tarde, fomos para a praça e vimos alguns grupos de Moçambique e congada se apresentando. O Moçambique é uma dança dos escravos, modificada com o tempo. Os participantes, devidamente paramentados, fazem duas fileiras, dançam e batem com seus bastões num som ritmado. As congadas são uma tradição de origem africana, que lembra a coroação de reis e bailados guerreiros. Vimos uma com várias mulheres fantasiadas - uma delas de princesa -, cantando louvores aos santos animadamente. Em frente a cada uma delas, vai um estandarte com o nome da congada (sempre em louvor a algum santo, como São Benedito). 

Enquanto almoçávamos, os bonecos gigantes passaram pela janela do restaurante, mas logo sumiram. A fanfarra se apresentou novamente em frente à igreja matriz, assim como as menininhas da dança das fitas - ela rodam fantasiadas em volta de um mastro.    

A cidade é mesmo uma graça, e tem grande número de casarões tombados e preservados. Por outro lado, notamos um descaso da prefeitura, que deixou as obras para um período de festa em que a cidade recebe muitos turistas, atrapalhando a diversão e enfeiando o centro. A Festa do Divino é organizada pelo "festeiro", escolhido pelo padre, e este ano parece que o homem era fraco demais. Segundo ouvimos, o festeiro convidou poucos grupos folclóricos para se apresentar - sem falar na programação, que não foi divulgada.

Fiquei com vontade de voltar daqui a alguns anos, quando as obras tiverem terminadas e o festeiro for bom de verdade. De qualquer modo, foi bonito ver que parte do folclore regional está preservado, e que as pessoas se interessam em valorizar essa cultura. Paraitinga tem muito potencial: é pequenina, graciosa, com casario relativamente bem preservado e festas tradicionais o ano inteiro. Faltam restaurantes bacanas, pousadas mais charmosas, limpeza mais efetiva, mas tenho fé que aos poucos esse potencial vai ser bem explorado - contribuindo mais e mais com a preservação da cidade e da cultura locais.



 Escrito por Rachel às 12h52
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Bilhete Único

Eba! Finalmente eu sou a feliz proprietária de um Bilhete Único! Eu achei que todo mundo sabia como funciona o negócio, mas hoje conversei com várias pessoas (só na empolgação!) e vi que não. Resumindo, é o seguinte: vc vai numa lotérica (tem que ser em São Paulo, claro), paga R$ 8,5 e recebe o bilhete com 5 passagens embutidas. Aí vc pode usar quantos ônibus e microônibus quiser em 2h, pagando apenas uma passagem.

Apesar de o objetivo ser baratear o transporte para o pessoal que mora na periferia e pega mais de um ônibus para ir ao trabalho, eu também me beneficiei! Isso pq em menos de 2h eu vou para o trabalho e pego o busão para almoçar na casa da minha mãe. Estou economizando R$ 1,7 por dia. Não é nada, não é nada...

Agora, para a minha depiladora e a moça que trabalha lá em casa (as 2 únicas entrevistadas pelo DataRachel) o bilhete não traz refresco. Uma mora na Grande SP e pega um ônibus intermunicipal, que não está no sistema. A outra usa só um ônibus mesmo. Agooora, se/quando o metrô e os trens entrarem no esquema é que vai ser bom de verdade.



 Escrito por Rachel às 16h06
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Praça Benedito Calixto

Sábado é o dia da feirinha mais "descolada" de São Paulo, em Pinheiros. Fazia tempo que eu não ía lá - o forte é o sábado pela manhã, quando raramente saio de casa. Mas o dia estava agradável, eu estava esperando o Ne ali perto e resolvi dar uma volta. O que sempre me atraiu nessa feira foram os móveis - cristaleiras antigas, porta-livros com portinhas de vidro, poltronas com formas de décadas passadas. Já o que eu menos gosto são as bancas de LPs e CDs - não tenho paciência de procurar raridades nem de esperar o Ne, que enfia a cara e passa longos minutos no garimpo.

Desta vez, achei a feirinha fraca. Acho que vai ser difícil encontrar uma que supere a de San Telmo, na Argentina. Lá, um dos fortes são os copos - de todos os formatos, cores, utilidades, ainda que os "antigos" sejam os mais abundantes. Me arrependi de ter comprado apenas 2 tacinhas para licor lá - na Benedito não tinha nenhuma que se comparasse com as minhas.

O mais interessante mesmo é curtir a manhã de sábado nas lojinhas ao redor da praça - com móveis e objetos de decoração que só dá para olhar. Tudo caro. Se abrirem um carrinho que vende crepe suíço eu sou capaz de voltar mais vezes. Tomar um chope nas mesinhas que se espalham pela calçada também pode ser bem gostoso.



 Escrito por Rachel às 17h36
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CCBB

Fomos ao Centro Cultural Banco do Brasil fazer um programa conjugado, coisa que eu adoro. Primeiro vimos a exposição do Nuno Ramos, depois assistimos à peça "Borghi em Revista". Os dois são ótimos, recomendo bastante. E é barato: R$ 15 por pessoa.

Mas não quero falar dos programas, e sim do CCBB, que já era uma instituição no Rio quando abriu em SP, em 2001. O passeio, para mim, começa no estacionamento da rua da Consolação, que oferece um serviço de vans até o CCBB. É mais seguro e prático do que ir de carro até lá, e o melhor é que a gente vai curtindo o caminho sem preocupação. Passamos pelo Teatro Municipal, viaduto do Chá, praça do Patriarca e desembarcamos na porta do centro cultural. Como o Centro de SP é mais bonito à noite, sem camelôs, sem multidões!

A entrada do prédio já é um encanto. O edifício foi construído em 1901 e totalmente reformado pelo Banco do Brasil para abrigar o CCBB. A área de exposições é excelente, e divide-se em 3 ou 4 andares - ainda assim, é bem menor que o CCBB do Rio. O predinho é daqueles com um vão interno, com sacadas nos andares superiores. Para quem não conhece o lugar, esta é uma época ótima: Nuno Ramos fez uma instalação surpreendente.

Leia mais sobre o prédio aqui e conheça a programação aqui.



 Escrito por Rachel às 12h57
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Aviso

O blog anda tão devagar que parece que foi abandonado... Mas não foi não. A verdade é que não temos tido tempo nem muitas idéias de novos passeios por SP. Deixe sua sugestão nos comentários. Ou volte dentro de alguns dias...

 Escrito por Rachel às 13h23
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