Cena paulistana
Faixa pregada em um prédio: "O hotel xxx dá as boas-vindas aos participantes do workshop Gerenciamento em Situações de Crise e Técnicas de Negociação em Casos que Envolvem Reféns"
Escrito por Rachel às 13h12
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Rebouças
A Carina, que trabalha comigo, fez algo que eu gostaria de ter feito, mas não tive disposição: um fotoblog com imagens das obras na esquina da av. Rebouças com a av. Faria Lima, em Pinheiros. Há fotos desde fevereiro, dando uma boa idéia de como a obra evolui. Veja aqui.
Escrito por Rachel às 16h35
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O Prisioneiro da Grade de Ferro
Ontem assistimos ao documentário gravado na Casa de Detenção (Carandiru) em 2001, um ano antes de o complexo ser desativado. Os presos participaram de oficinas de vídeo e são, eles mesmos, responsáveis por várias cenas do filme.
Eu não vi o "Carandiru" do Babenco, então não posso fazer comparações, mas o que achei muito interessante é que o filme consegue explorar várias facetas da vida na cadeia. Mostra as celas, os reservados minúsculos para os presos que estão de castigo, o dia de visita, a saída e a volta de um preso que recebeu licença para visitar a família, a palestra no dia da chegada de um grupo de presos etc. Esta é particularmente curiosa: o monitor fala grosso, mostra uma apostila sobre direitos e deveres do preso e avisa: "Está errado. Vocês não são presos, são educandos". Atéééé parece.
Outra parte interessante é a que mostra como os presos "se viram" na cadeia. Eles mesmos contam que arrancam pedaços de ferro da escada, de onde for, para fazer armas. Vemos um vasinho com uma singela plantação de maconha. E um esquema inacreditável que transforma refrigerantes em cachaça! Primeiro eles esquentam o líquido com lâmpadas, depois extraem o álcool que resultou da fermentação. Só vendo... Até tatuagem eles dão um jeito de fazer, com uma maquininha montada com caneta bic, motor de toca-fitas e sei lá mais o que.
No começo do filme, acho que a dimensão humana dos presos está mais presente. Não parecem bichos, e a idéia é justamente mostrar que eles não são também (só) um número no prontuário. Mas à medida que o filme passa, eles deixaram de ser/parecer humanos (para mim) e voltaram à sua condição de marginais, apátridas. Na hora em que um deles fala que os presos ficam doidos quando fumam craque, "são capazes de vender a mãe", meu Deus... Dá vontade de se trancar em casa e não sair nem pra ir na padaria. Imagina quantos destes estão por aí, na rua.
O filme termina com a parte mais deprimente do sistema penitenciário (e do filme): os ex-diretores do complexo, os secretários de segurança, as "otoridades". Tá certo, falta dinheiro. Só pode faltar, nesse país. Mas aquilo não é possível. Não vou fazer um tratado de sociologia, pq não tenho embasamento nem paciência, mas a verdade é que o nível de degradação, corrupção, falta de dignidade e respeito que a cadeia alcançou é inaceitável. É claro que se houvesse dinheiro e capacidade de administrar o país, haveria mais educação, mais saúde, mais moradias e mais emprego, quebrando as pernas do grande propulsor da violência: a desigualdade social.
É claro que a cadeia não pode funcionar. Nada funciona aqui. Como diz o Simão, vou ali tomar meu colírio alucinógeno e já volto.
Escrito por Rachel às 12h41
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Belezura
Ontem de manhã um caminhão da prefeitura cheio de latões de tinta estacionou em frente do meu prédio. Vários homenzinhos laranjas saltaram da boléia e começaram a pintar os postes da rua de branco. Eba! Adoro essas coisas, dá uma sensação de que alguém está cuidando da cidade, que alguém resolveu fazer alguma coisa para tirá-la do abandono.
Mas hoje fui conferir o resultado e fiquei decepcionada. Os postes estão pintados, ok, mas os homenzinhos conseguiram derrubar tanta tinta na base de cada poste que o resultado ficou muito porco. A mesma coisa nas guias que eles retocaram com tinta branca. Parece que se chover vai escorrer tudo, de tão vagabunda que é a tinta (sem falar nos respingos em volta).
Mas pior mesmo é constatar que só pintar os postes e as guias não adianta muito, se as faixas de pedestre do bairro estão todas descascadas (quando não remendadas por asfalto tapa-buraco), as calçadas quebradas e o asfalto remendado. O que me faz pensar, mais uma vez: se no Itaim Bibi (bairro de elite de SP, segundo a Folha) a coisa está desse jeito, imagina no Itaim Paulista!
Escrito por Rachel às 12h32
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Yolandaaa
Lembra do sobrinho da Yolanda Penteado, seu Alfredo, que mora no prédio dos meus pais? Então, minha mãe o encontrou outro dia e comentou que ficou sabendo do parentesco. Ela disse que ele estava todo contente, até brincou que ia dar um autógrafo, e contou algumas coisinhas:
- alguns vestidos que a Yolanda (Ana Paula Arósio) usou eram cópias de modelos da "vida real" - os homens daquela época eram mesmo uns bananas, as mulheres é que mandavam. Realmente, na minissérie o pai dele (Juvenal) é um bronco, e o tio Jaime, um bon vivant - a avó, dona Guiomar, era mais ativa (mas acho que na novela ela estava parada por causa da gravidez da Cassia Kiss) - Yolanda teve um caso com um médico famoso depois que se separou do Ciccilo, mas que seu nome não pôde ser revelado (não lembro se li isso no livro) - o Chatô o influenciou bastante na vontade de ser aviador (que, segundo meu pai, ele chegou a ser) - e o Chatô era muito mais mau caráter do que parecia na minissérie.
Escrito por Rachel às 19h00
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De novo
Na semana passada, fomos ao Top Cine assistir "Tiros no Escuro", com Peter Sellers. Compramos os ingressos (baratinhos, R$ 10 cada) e entramos na sala, meio vazia e com aspecto meio abandonado. Na hora em que eu estava sentando, esbarrei no braço de uma poltrona e raaaasguei minha calça!!! O couro do braço da cadeira estava descascado e minha calça enganchou no ferro que fica em baixo. Imagine como eu fiquei feliz - isso porque a calça é nova.
Mais uma vez: que dó! Um cinema tão bacana, com programação de alto nível, estar tão decadente. E, como eu disse aqui outro dia, não faz tantos anos que ele passou por uma reforma. Se eu tivesse dinheiro, juro que eu comprava e dava o valor que ele merece!
Escrito por Rachel às 12h52
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Um Só Coração
Sei que está um pouco tarde para recomendar a minissérie, pq ela acaba em uma semana, mas eu adorei. Faço de tudo para não perder os capítulos, onde Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e outros modernistas aparecem sempre. Sem falar no Samir, o turquinho que é um charme ;)
Mas hoje minha empolgação bateu recorde: ainda meio dormindo, 8h30 da madrugada, vi uma fotinho na Ilustrada cuja legenda dizia: "Em gravação para o "Vídeo Show" do dia 7, Cássio Gabus Mendes beija Alfredo Penteado, filho de Juvenal Penteado, papel do ator em "Um Só Coração"; Juvenal e Alfredo não se davam."
Claro que, sendo má fisionomista e estando meio dormindo, demorei para ver o óbvio: o velhinho é o seu Penteado! Nada mais nada menos que um vizinho de prédio do meu pai, que conheço desde pequena! Pô, estou louca para encontrá-lo e dizer: "Bonito, né, seu Penteado! O sr. é sobrinho da Ana Paula Arósio e não contou pra ninguém!"
PS.: Veja a foto aqui
Escrito por Rachel às 15h54
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