Fotoblog
Clique aqui para ver fotos do Caminito e da Livraria El Ateneo. Quando der, coloco mais imagens.
Escrito por Rachel às 20h13
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Buenos Aires x São Paulo
Passamos o Carnaval em Buenos Aires; foi minha primeira viagem para a América Latina. Fora todas as coisas boas que fizemos, gostei de ter uma idéia de como é nosso vizinho. Engraçado como a AL é o fim do mundo - não só para os países desenvolvidos, mas para nós mesmos. De uns anos para cá, a Argentina e o Chile até ganharam certo status de lugar “viajável”, mas acho que a maioria das pessoas ainda prefere ir pro Caribe, EUA e Europa nas férias.
Fizemos muitas comparações entre Buenos Aires e São Paulo. Legal que eu não tinha muita idéia do que encontraria – sabia apenas que a cidade tinha uma cara mais “européia” que a nossa (o que não diz muita coisa). Minha primeira impressão, que se manteve no fim dos 4 dias, é que a cidade é muito mais rica que SP, embora tenha claramente sofrido um empobrecimento nos últimos anos.
Vimos muitas pichações, mas nos prédios do governo havia tinta fresca sobre elas (sem falar que os dizeres eram de protesto, nada de “ZL” e “ZN”). Bastante gente pedindo esmola nas ruas, mas não mais do que aqui. Principalmente, pessoas pobres, mas não mendigos miseráveis como os de SP. Fomos à Boca, que é o bairro pobre de lá. Pobre sim, com algumas casas bem deterioradas, mas nenhum barracão de madeira, nenhuma cerquinha de papelão.
Outra coisa que chamou nossa atenção é a quantidade de prédios antigos preservados. Fomos ao Café Tortoni, o mais velho do país, fundado em 1858, e vimos seus vitrais franceses, suas paredes de madeira e seus espelhos inteiraços, sem falar no churro e no chocolate deliciosos que servem. As mesas de Borges e de Cortazar ainda estão lá. A Confeitaria Ideal está um pouco mais debilitada pela idade, mas ainda deixa transparecer os tempos de glória do passado. Do nosso lado, só a Confeitaria Colombo do Rio para dar um pouco de orgulho.
E as livrarias? Seja na popular Calle Florida ou no bairro chique da Recoleta, elas estão em toda parte. A crise de 2002 foi feia, mas as pessoas ainda compram livros, e muitos. E olha que os preços rivalizam com os nossos... E a sensacional El Ateneo? A livraria mais maravilhosa que já vi na vida: um teatro antigo, daqueles com camarotes e vários andares, repleto de estantes de livros! O palco é um café, e os camarotes com poltronas servem de ponto de leitura. De chorar.
Buenos Aires é uma cidade bonita. Os predinhos, baixos, misturam estilos diversos; o parque 3 de Febrero (o Ibirapuera portenho) não tem grades, suas árvores e lagos se misturam com a cidade. As avenidas são largas, o traçado das ruas é regular, planejado. A impressão que fica é que as pessoas e o país empobreceram, mas não perderam a dignidade. Ainda amam e cuidam de sua cidade. Há bandeiras argentinas à venda nas ruas!
Bateu uma tristeza.
Escrito por Rachel às 17h19
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Yolanda
Acabei de ler Yolanda, do dramaturgo Antonio Bivar, sobre Yolanda Penteado. Sim, é a moça da minissérie. Mas a história dela, real, é um pouco diferente. Não houve Martim nem Fernão, mas ela se casou 2 vezes mesmo – a segunda com Ciccillo Matarazzo. Era dona da fazendona Empyreo, em Leme (SP), onde nasceu em 1903. Logo após a quebra da bolsa de NY, em 1929, foi uma das primeiras a substituir as lavouras de café por algodão. Muito rica, viajou o mundo, morou anos entre Paris e São Paulo/Leme, conheceu príncipes e milionários de renome mundial, promoveu festas inesquecíveis com astros do cinema, presidentes, governadores. Chatô foi um de seus melhores amigos; Santos Dumont e ele nutriam uma admiração apaixonada por Yolanda. Segundo o livro, ela foi uma das responsáveis pela realização da 1ª Bienal de São Paulo, e doou muitas obras importantes para a coleção do MAC. Conheceu Picasso e Brancusi, de quem comprou uma cabecinha de mármore que a acompanhou a vida toda.
É uma história interessante, a vida de uma ricaça que se viu envolvida com o mundo das artes sem dele entender muito. Acima de tudo, Yolanda parece ter sido uma empreendedora, uma mulher de ação. (E tinha o nariz adunco, não era uma Ana Paula Arósio não)
Resuminho à parte (prometi pra professora da PUC que se ela me passasse de ano eu não escreveria 1 só resenha na vida), o livro é muito mal escrito. O autor é totalmente sem noção. Tem um trecho em que, narrando o que passava pela cabeça de Yolanda (como ele sabia?), Bivar escreve assim:
- Já que estou fodida mesmo, vou em frente.
Vê lá se uma mulher dessa ia sequer pensar em “fodida”! Fora que ele viaja tanto, escreve tanta bobagem, que cheguei a ter muitas dúvidas sobre a veracidade de algumas histórias. Maaas, ainda assim, vale a pena ler para ter uma idéia de como vivia a elite paulistana dos anos 1910-50 e... acompanhar a minissérie com outros olhos.
Escrito por Rachel às 19h19
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Estrangeiro
Ontem perguntei pra Penny, amiga australiana do Ju que está passando um tempo no Brasil, o que ela tinha feito em SP. Compras, basicamente. Ela não entrou em nenhum museu, disse que não curte muito. Foi pra Embu e outras redondezas mas, na capital mesmo, viu muito pouca coisa.
Me parece, na verdade, que um visitante "viajado" não tem mesmo muito o que fazer aqui. Nenhum prédio histórico muito relevante, restaurantes bacanas mas que podem ser encontrados em outras metrópoles, museus regionalmente importantes, mas nada imperdível (nessa hora, Ne dá um cotoco na minha cabeça).
Enfim, sem mais enrolação, aqui vão algumas dicas de lugares bacanas e não-muito-óbvios para estrangeiros:
- Fundação Maria Luísa e Oscar Americano - A sensacional Fonte do Ibirapuera - O Memorial do Imigrante - A pizzaria Castelões do Brás, com direito a aulinha sobre imigração italiana, depois - Visita noturna ao bar/restaurante do Hotel Unique, na Brigadeiro, de onde se vê o "espigão" da Paulista
Para ler mais sobre os 3 primeiros, consulte o arquivo de janeiro, aí na coluna do lado.
Escrito por Rachel às 13h09
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Coletivo
Sempre que estou no ônibus e entra um vendedor ou "pedinte", presto a maior atenção no discurso. É muito peculiar e, como aqueles bilhetinhos que os vendedores de bala colocam no retrovisor do carro, parecem elaborados por uma só pessoa. Poucos detalhes mudam e algumas palavras aparecem sempre. O de hoje foi mais ou menos assim:
Bom dia, pessoal, desculpe estar incomodando a viagem de vocês nesse coletivo, meu nome é Antonio e este é o meu tio Benedito. Infelizmente, nós está desempregado e não conta mais com plano de saúde, e tem que ficar nas filas do INSS que vocês conhecem, e esperar anos para ser atendido. Eu vou pedir pro meu tio mostrar pra vocês a cirurgia que ele tem que fazer, no esôfago, (nessa hora, o tio levanta a camisa e mostra uma bola enorme deformando sua barriga - não tive coragem de olhar pra ver a reação dos outros passageiros, fiquei olhando para fora até o homem abaixar a blusa) mas infelizmente nós não tem condição de ir pruma clínica particular fazer essa operação. Isso aconteceu com meu tio, mas podia ser com qualquer outra pessoa humana, inclusive da família de vocês. Então nós estamos pedindo uma ajuda, que Deus abençoe quem puder ajudar, e quem não puder ajudar, que Deus abençoe da mesma forma. Pode ser passe, um real ou qualquer moeda que vocês tiverem. Muito obrigado, pessoal, boa viagem pra vocês. Obrigado, piloto, obrigado, cobrador.
Quando eles pegam as contribuições, devolvem um "deus abençoe" automático e vão s'embora. Se não fosse trágico, seria engraçado.
PS: Pela primeira vez ever andei num busão comum com ar condicionado hoje. Sem palavras!
Escrito por Rachel às 12h49
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Violência ou "Normal"
Domingo, tarde da noite, voltava do plantão pela rua Teodoro Sampaio, quando paramos na esquina com a Cardeal Arcoverde. Eu nunca páro no farol à noite, mas o Ne estava dirigindo... Na nossa frente, passou uma turma de uns 7 ou 8 jovens - vi pelo menos uma menina. Quatro deles se atrasaram e ficaram conversando quase na nossa frente, na faixa de pedestres.
Pareciam combinar um programa, mas um deles fez que não com a cabeça e seguiu seu caminho, todos rindo. Os outros 3 voltaram então de onde tinham vindo. Na mesma hora, notei um cara que andava na calçada da Teodoro, um pouco à nossa frente. Os 3 rapazes seguiram na mesma direção dele, mas só percebi que eles iam assaltá-lo quando um deles empurrou o rapaz, e os outros o cercaram. O cara levou um susto, estava de bermuda como quem anda pelo bairro. Saiu correndo. E os 3 atrás, claro.
O que me intrigou não foi a violência (sabemos que isso acontece a toda hora em SP), mas o caráter *lúdico* da atitude dos sacanas. Na nossa frente, eles combinavam uma aventura, uma "arte". "Vamos dar um susto naquele mané ali, olha", devem ter sido essas as palavras.
Me assustei também com minha reação (ou não). Fiquei olhando. Tão sem ação quanto no intervalo comercial da TV. Meio fora da realidade. Já estávamos na Faria Lima quando resolvi que não, aquilo não podia ficar assim. Resolvi ligar para a polícia, no fundo mais para poder dormir em paz do que por acreditar que adiantaria alguma coisa.
O telefone tocou, e o atendente falou um "Polícia" ou "Emergência" tão automático que cheguei a pensar que tinha caído na secretária eletrônica (!).
- Estou ligando pq passei de carro agora na rua Teodoro Sampaio, esquina com a Cardeal Arcoverde, e vi 3 caras atacando um rapaz. Vcs podem mandar uma viatura para lá, rápido? - Vôtransferí - ... (aguardando) - Pódisligá
O pior que eu estava certa. Alguém acha que mandaram um carro?
Escrito por Rachel às 16h52
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Pinacoteca Estação
Visitamos hoje o novo espaço da Pinacoteca, do lado da Estação Julio Prestes. O edifício foi construído em 1917, pelo escritório de Ramos de Azevedo, e serviu à Estação Sorocabana de trens. Por mais de 50 anos, foi sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), até 1983.
O prédio foi reformado em 2002 e, desde então, abriga uma exposição sobre a história do temido DOPS, em paralelo à história do próprio Brasil. São painéis com documentos, fotos, recortes de jornais e textos interessantes, que dão uma idéia da loucura que era a perseguição a fascistas, comunistas e subversivos em geral.
(Para se ter uma idéia do ecletismo, foram fichados no DOPS Caetano, Gil, Monteiro Lobato, Anita Malfatti, Oswald e Mário de Andrade, d. Paulo Evaristo Arns, Lula, Serra e Fernando Henrique)
Da sala de interrogatório (eufemismo para tortura), parece que nada restou. Está fechada para visitação. Mas, no Memorial da Liberdade, que funciona no mesmo prédio, dá para ver as 5 celas em que os presos eram encarcerados e o corredor minúsculo onde tomavam sol. Horripilante.
Para quem se animar, a exposição fica lá até março. Dá para estacionar no pátio do prédio, sem perigos.
Update: Esqueci de falar uma coisa que me impressionou: a região do DOPS, que fica colado à Estação Julio Prestes, virou uma pequena ilha de beleza e conservação em meio à feiúra da região. Além destes 2 prédios, há o Centro de Estudos Musicais Tom Jobim ali em frente, num simpático predinho restaurado, e um outro edifício pintado de amarelo, que não sei para que serve.
Mas, dos janelões da Pinacoteca Estação, vê-se também os enormes cortiços que dominam a paisagem da região, além de imóveis semi-abandonados e muito cimento. A conclusão é que a tal revitalização do Centro é mais difícil do que se pensa; são anos e anos de abandono e degradação. Mesmo em uma região tão pequena, a restauração e ocupação de prédios antes abandonados não foi suficiente para melhorar todo o entorno.
Selviço ESTAÇÃO PINACOTECA Largo General Osório, 66 - Luz. Fone: (11) 222-8968 Funcionamento: De terça a domingo, das 10h às 17h30. Ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00 (1/2 entrada). Grátis aos sábados.
Escrito por Rachel às 20h17
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Bologna
Folheando a revista Gula deste mês, me interessei pela matéria que falava das comidinhas que são a cara de São Paulo. São elas: pastel de feira (do Pacaembu), sanduíche de pernil do Estadão, bauru do Ponto Chic, beirute do Frevo e salgadinhos do Bologna. Hã? Bologna? Que Bologna?
Não podíamos prosseguir nossas aventuras pela cidade sem conhecer este lugar! Até o Rogério Fasano desce a rua Augusta atrás das coxinhas, vejam vocês. Chegamos lá já sabendo que o rotisseria existe há 81 anos, tempo considerável, mas eu precisava ver para crer que as coxinhas eram tão redondinhas, tão perfeitinhas como nas fotos!
E são. Servidas por um autêntico portuga, que comprou a casa dos fundadores italianos, num balcão daqueles de antigamente, o lugar tem um arzinho decadente que é um charme - exatamente o que eu queria, depois de me frustrar com a padoca mais antiga da cidade (leia mais abaixo).
Levamos coxinhas de coxa e coxinhas de peito (!!!), mais duas empadinhas de palmito. Não sei qual era o mais gostoso. O Ne não achou a coxinha nada de mais, mas ele assume que o salgado não é o seu forte. Eu, se pudesse, poria um pouco mais de tempero, mas não alteraria em nada a casquinha crocante e sequinha! Hum... já tô ficando com vontade de novo.
Agora o sanduba do Estadão que nos aguarde!
Escrito por Rachel às 12h14
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Praça João Mendes
Meio atrás da praça da Sé, a João Mendes abriga o Fórum e uma igrejinha simpática, bem conservada, de São Gonçalo. O piso da praça parece reformado recentemente; não faltam pedras nem sobram rachaduras. Resolvemos comer alguma coisa na padaria Santa Tereza, a mais antiga em funcionamento da cidade. Não esperava uma Confeitaria Colombo paulistana, mas o que vimos foi muito decepcionante. Uma padaria totalmente comum, modernizada, que não dá o menor sinal de ter sido aberta em 1872 - no Império! Só tendo muita imaginação para ver charretes e cavalos amarrados do lado de fora, aguardando seus donos tomarem café.
Escrito por Rachel às 12h07
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Centro Cultural da Caixa
Atravessamos a praça da Sé para chegar ao prédio do novo espaço cultural. O pretexto era a exposição Referencial Anita Malfatti, com 90 obras da pintora modernista. A fachada do prédio, inaugurado na década de 30, é toda preta, pesadona. Lá dentro, há um hall que já funcionou como agência bancária - o mais legal são as escrivaninhas onde os caixas atendiam a população, de madeira bem sólida e escura.
A exposição é fraca, com muitos desenhos e ênfase na obra tardia da pintora - quando o vigor modernista já havia sido arrasado por Monteiro Lobato. De qualquer forma, há a Estudante Russa e o Homem Amarelo, dois quadros importantes que é sempre bom rever.
Escrito por Rachel às 12h01
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Listas e mais listas
O Ne e eu já fizemos nossos Top 10+ e Top 10- de São Paulo (veja mais abaixo).
Estamos aguardando contribuições! Mande a sua lista!
Escrito por Rachel às 17h47
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Páteo do Colégio
Continuando nosso passeio pelo Centro, seguimos para o local onde foi rezada a primeira missa no planalto de Piratininga - aquela que marcaria o nascimento da cidade de São Paulo, em 1554. Naquele ano, havia ali apenas uma cabaninha de pau a pique, construída pelos tupiniquins para servir de "escola" para seus filhos e sede para os jesuítas da Companhia de Jesus.
A igreja e o Museu Casa de Anchieta que estão lá atualmente foram construídos na década de 1970, numa tentativa de preservar a memória do sítio histórico. De original, restou apenas um muro de taipa de pilão, protegido agora por paredes de vidro.
Acho que esta foi a primeira vez que entrei na casa. O passeio começa em uma sala com uma grande maquete da colina histórica - um platô cercado pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú. O monitor explica que o local era estratégico, pois fornecia boa visão do entorno, permitindo que os jesuítas se precavessem de ataques de tribos hostis. Eu, que já tinha lido sobre isso n'A Capital da Solidão, adorei a maquete, que me ajudou a visualizar o texto.
O moço disse também que o nome Piratininga - o primeiro da cidade - significa "peixe seco" em tupi, e foi escolhido porque depois das cheias dos rios, cardumes inteiros ficavam presos nas terras do planalto. Já o nome Tamanduateí vem dos tamanduás que passeavam por ali, à cata de formigas que eram atraídas pelos insetos que rondavam os peixes apodrecidos (ufa, captou?).
Depois da maquete, vimos também alguns desenhos desse minúsculo centro histórico e seguimos para a sala que guarda alguns santos e oratórios dos séculos passados. Há também uma pia batismal que dataria da época da fundação e quadros que retratam Anchieta e outras figurinhas históricas.
Para terminar, entramos na fila para ver a tal carta de Anchieta, exposta na cripta da igreja. Antes, a monitora passou um vídeo com trechos das cartas, em que Anchieta descreve animais nativos (o jacaré era um "lagarto gigante e verde") e costumes dos índios, além da rotina dos jesuítas neste fim de mundo. A carta, em si, foi decepcionante. Está encadernada junto com outras 16 cartas de Anchieta e dezenas de documentos de outros padres, de outros lugares do mundo. E está escrita em espanhol, já que o homem nasceu nas Ilhas Canárias.
Na cripta, também há uma parede de pedra, que teria sobrado de uma das construções antigas feitas ali. De 15 em 15 dias, as páginas do livro serão viradas e outras cartas estarão à mostra. Bem que até o fim da exposição alguém poderia ter a idéia de traduzir as cartas e mostrá-las num painel. Do jeito que está, numa redoma de vidro, fica difícil para o visitante ler alguma coisa.
Para saber mais, visite o site do Páteo do Colégio aqui.
Escrito por Rachel às 14h33
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Solar da Marquesa
Sábado à tarde, chove, não chove... Exposição enorme de fotos no Sesi ou o Centro de verdade? Ficamos com o segundo. A primeira parada foi no Solar da Marquesa de Santos, na rua Roberto Simonsen. A ruela estava interditada - achei que estava rolando uma renovação paisagística, mas as flores estavam sendo plantadas para o comercial de um carro, o Meriva.
A entrada na casa da amante de D. Pedro é gratuita. Construída em taipa de pilão, ela passou por várias reformas que alteraram sua feição original. Mesmo assim, foi tombada em 1971. Lá dentro, além de alguns objetos indígenas e mobílias do século 18, funcionam alguns setores do Departamento do Patrimônio Histórico. Algumas salas tinham aquelas lâmpadas frias compridas, conferindo um ar horrível de repartição pública ao casarão. Da mesma forma, janelas de vidro fumê convivem com janelas que imitam as do período colonial. Uma zona.
Escrito por Rachel às 11h36
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General Prime Burger
Atenção que este post é um furo de reportagem! Ontem fomos conhecer a "hamburgueria" do Sergio Arno, aberta na quarta-feira na rua Joaquim Floriano. É o quarto empreendimento do chef no Itaim, que já tinha o La Vecchia Cucina, o Alimentari e o La Pasta Gialla - como bons comilões, já comemos em todos.
O lugar é bem simpático. Tem chão de madeira, muito espelho, sofás de couro para quem aguarda a mesa, um belo bar na entrada e dez mesas com sofás de couro tipo América, além das mesinhas menores. A casa fica numa espécie de galpão, com teto alto, bem em frente ao Kinoplex. A cozinha fica à vista, como está na moda. Um mezanino com outras mesas ainda será aberto.
O atendimento estava fraco, o sanduíche atrasou bastante, mas acho que é normal no 3º dia de funcionamento. O cardápio, bem pretensioso, apresenta a parceria entre as melhores carnes do mercado (Wessel), as salsichas idem (da marca sei-lá-qual) e o chef Arno.
São vários tipos de hamburguer, com preços entre R$ 9 e R$ 14. Os molhos e acompanhamentos (incluindo mais de 15 tipos de batata) são cobrados à parte. Só de queijo, havia quatro opções. As carnes podem ser de cordeiro, picanha ou outros cortes (também há opção vegetariana). Pros mais frescos, que não comem hamburguer, há 6 opções de salada e até 2 massas, além de grelhados.
Eu fui de milk-shake de nutella com amêndoas (ainda bem que o cardápio não conta as calorias - este devia ter umas 2.000) e o Ne preferiu um hamburguer com queijo emmenthal e steak sauce, com gosto forte de churrasco.
É uma dupla ousadia de Sergio Arno: abrir uma lanchonete na rua em que reinam o Joakin's e o New Dog há tantos anos e se aventurar num meio que não é o dele. O melhor é que tem tudo para dar certo...
Escrito por Rachel às 12h04
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Mais listas
Depois de mandar a lista do que mais odeia, o Ne escreveu a relação do que mais gosta em SP (veja um pouco mais abaixo). E você, não vai mandar a sua?
Escrito por Rachel às 18h47
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Ne: 10 coisas que mais odeio
- Ver as pessoas jogando lixo pela janela do carro sem a menor vergonha na cara. Certamente são os mesmos que reclamam que a prefeitura não limpa os bueiros - Saber que um quarto da população acredita que a tortura pode resolver nossos problemas de segurança. Inútil dizer que são os mesmos que votam no Maluf e que apoiaram sem pestanejar o massacre dos 111 presos no Carandiru - Observar as calçadas esburacadas e com raríssimas rampas; os ônibus não adaptados para os deficientes; os banheiros não adaptados. Eis uma cidade que maltrata seus deficientes. - Perceber pelas ruas que SP tem vergonha da língua portuguesa. Cada dia mais surgem: sale, vendita promozionale, Credicard Music Hall, DirecTV Music Hall, coffee break etc etc. Quanta cafonice!!! - Notar a impaciência das classes média e alta com os nordestinos, os mesmos que construíram os prédios onde moramos, o asfalto onde passamos com os nossos carros, os esgotos onde... Deixa pra lá - Olhar para as imensas e horrendas placas de propaganda na fachada das lojas. Outro dia, na "Veja", Roberto Pompeu de Toledo citou as lojas de sapato Zapata, aquela com painéis em azul e branco. Lembrei dos Lustres Yamamura na rua da Consolação. E os bingos, então? Pesadelo... - Olhar pro horizonte e notar que para cada árvore há uns dez postes e um emaranhado de fios. Nenhuma cidade no mundo deve ter tantos postes como São Paulo. Quanta feiúra!! - Notar que os sobradinhos estão desaparecendo para dar lugar a prédios cada vez maiores, com seguranças cada vez maiores, com carros cada vez maiores e buzinas cada vez mais altas. - Lembrar que o metrô é tão pequeno diante da imensidão da cidade - Saber que a elite paulistana já desfilou pelo Moma de NY, pela National Gallery de Londres, pelo Louvre de Paris, mas nunca pôs os pés na Pinacoteca, no centro da cidade. MAC então? Só se for a marca de batom...
Escrito por Rachel às 18h44
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Ne: 10 coisas que mais adoro
* comer no japonês Sushi Lika, no italiano Buttina, no sírio-libanês Arábia, no português Antiquarius (só quando fui convidado), no francês La Tartine, no judaico Cecília, no grego Acrópoles....
* saber que há uma padaria a cada esquina _das chiques às detonadas. E todas elas servem pingado e pão na chapa.
* estar certo de que no Masp encontrarei Rafael, Cézanne, Rembrandt, Picasso, Lasar Segall etc; no MAC, Morandi, Modigliani, Tarsila etc; na Pinacoteca, Rodin, Brennand...
* saber que, aos poucos, o centro da cidade se reergue. Um dia as mães ainda vão passear com seus filhos pela praça do Patriarca...
* poder ouvir todos os sotaques. Aprendemos todos os dias com nordestinos, cariocas, mineiros, gaúchos...
* lembrar que só São Paulo tem a efervescência para dar à luz movimentos como o modernismo, o tropicalismo, a poesia concreta, a vanguarda dos anos 80. Salve, Mario e Oswald de Andrade, Augusto e Haroldo de Campos, Tarsila, Tom Zé, Itamar, grupo Rumo. E salve Zé Celso, Antunes Filho, Antonio Araújo...
* saber que SP tem ainda o dom de surpreender com recantos inimagináveis como a Fundação Maria Luísa e Oscar Americano e o bar do Elias
* saber que, no fundo, São Paulo não é tão séria e impessoal como os cariocas acham
* acreditar que, apesar de todos os problemas, não falta gente bem-intencionada disposta a resolvê-los
* e, acima de tudo, lembrar que foi aqui que meu amor me conquistou.
Escrito por Rachel às 19h18
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Top 10
O Ne deu a ótima idéia, e eu topei. Coloquei aí embaixo minha lista das coisas mais adoráveis e mais odiáveis de São Paulo. Mas só tem graça se todo mundo participar! Quebre a cabeça, faça a sua lista, me mande por e-mail ou escreva nos comentários!
Escrito por Rachel às 16h32
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SP 10+
- a pizzaria de domingo, segunda, terça...
- as árvores com suas flores coloridas improváveis
- os feriados que deixam as ruas desertas e a sensação de que o tempo está suspenso
- a avenida República do Líbano, com vista pro Ibirapuera
- as mil opções de restaurantes
- quando o balconista, o bilheteiro, o jornaleiro do bairro me reconhecem; parece que SP é uma vila
- o chope do Balcão, o sanduíche do Balcão, o balcão do Balcão, o garçom do Balcão
- a fonte do lago do Ibirapuera
- descobrir sem querer a Lua cheia no céu, numa curva, numa espreguiçada à toa no meio da rua
- andar de bicicleta nas ruazinhas dos Jardins, atrás de casa
Escrito por Rachel às 16h31
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SP 10-
- a falta de vagas para estacionar
- os flanelinhas (essa praga dos infernos) e seus genéricos, os vendedores de farol
- o trânsito e os buracos das ruas e os remendos dos buracos
- as guias e as calçadas irregulares, quebradas, sem tinta
- a poluição, quase sólida
- o medo latente da violência que a cidade provoca
- as Marginais com seus rios semi-mortos e seu cheiro insuportável
- encontrar gente conhecida por aí; parece que SP é uma vila
- os postes com seus fios bambos e panfletos tipo “compro ouro” a cada 5 metros
- as pichações em casas e muros
Escrito por Rachel às 16h31
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Nomes de ruas
Ainda do livro "A Capital da Solidão", algumas curiosidades sobre pessoas que viraram ruas em SP:
Teodoro Sampaio - historiador Simão Álvares, André Fernandes, Raposo Tavares e Fernão Dias - bandeirantes Afonso Brás - jesuíta e carpinteiro Jaime Cortesão - historiador português Diogo Jácome - jesuíta
Escrito por Rachel às 20h18
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Absurdo
Ontem fomos ao cinema Top Cine, aquele da av. Paulista que fica em uma galeria. Dá pena ver o estado de abandono em que ele está - com as poltronas rasgadas, apenas um homem cuidando da catraca de 2 salas... O Lumière, outro cinema "de rua", também está caindo aos pedaços. Isto porque ambos foram reformados há uns 5 anos, no máximo. Com as facilidades que os shoppings oferecem, ninguém quer saber de frequentar esses pequenos e charmosos espaços - onde não há estacionamento, mas a gente conhece aquele bilheteiro que trabalha há séculos no lugar. Sem falar que shopping algum oferece retrospectivas de cineastas como Truffaut e Rohmer, como o Top Cine faz. Eu contribuiria com prazer se houvesse uma campanha para reformar e cuidar destas salas - como acontece em Londres, por exemplo. Numa cidade dominada por carros e motoristas, bom mesmo é calçar um chinelo e ir caminhando tranquila até o cinema do bairro...
Escrito por Rachel às 16h05
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A Capital da Solidão
Terminei ontem à noite o livro de Roberto Pompeu de Toledo sobre São Paulo - da fundação ao fim do século 19. História à parte, foi curioso conhecer a origem dos nomes de muitas ruas. João Ramalho foi um dos primeiros habitantes do Planalto, como eram chamadas as terras que ficavam além da Serra do Mar. Bartira, filha do cacique Tibiriçá, era uma de suas mulheres. Sim, ele era polígamo - e, através do cunhadismo, exercia influência sobre centenas de índios, um exército que o pouparia de combates com os jesuítas.
Interessante constatar que uma cidade que, desde sempre, esteve ameaçada de desaparecer, na virada para o século 20 deu a volta por cima e conquistou o posto de "locomotiva do Brasil". Os imigrantes, que chegaram a superar 3 vezes o número de nativos na década de 1890, foram essenciais na mudança. Para se ter idéia da pobreza da cidade, nos séculos passados, suas construções de taipa de pilão, quase lama, não conseguiram parar em pé para contar história. Salvador, Ouro Preto, Rio de Janeiro tiveram muito mais sorte (e dinheiro).
Os imigrantes não vieram à toa. Não só a escravidão estava desmoronando, como as plantações de café começaram a exigir muita mão-de-obra. Os trens, que traziam os viajantes (mais de 30% italianos) e transportavam o café do interior para a capital, são outro símbolo dessa época de ouro de São Paulo.
Para quem se empolgar, tem um link para comprar o livro na coluna da direita. Eu rrrecomendo.
Escrito por Rachel às 12h28
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Obras
Trabalhando na Faria Lima, tenho acompanhado diariamente as obras da prefeitura na região. A primeira novidade, no final do ano passado, foi a instalação de um "condomínio" cercado para os peões, com sobrados (!) de madeira. Essas casas estão ocupando o canteiro central da avenida, onde antes era área de estacionamento. Qual não foi minha surpresa hoje ao encontrar os muros/tapumes enfeitados com aqueles arames que dão choque caso alguém tente pular! Não é demais? Será que alguém tentou assaltar a casa dos peões? Tsc, tsc.
Escrito por Rachel às 11h44
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